Importância do treinamento para o atendimento a Parada Cardiorrespiratória.

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De acordo com Lucena e Luzia (2009) apud Timerman e Santos (1998), parada cardiorrespiratória (PCR) é a interrupção das atividades conjuntas da respiração e circulação, nos deparando assim com a maior emergência que podemos ter em qualquer setor e local. Seu atendimento objetiva a recuperação das atividades de oxigenação e hemodinâmica da melhor e mais rápida forma possível, com uma série de procedimentos denominados de RCP (Reanimação cardiopulmonar).

O objetivo da RCP (Reanimação Cardiorrespiratória) é manter artificialmente a circulação sanguínea por meio de compressões torácicas, para manter uma irrigação e consequentemente suporte nutricional e de oxigênio nos tecidos com melhor eficácia possível, até que se estabeleça naturalmente ou por meio químico.

(GUIMARÃES, 2008). Boaventura e Miyadahira (2012) relatam que nas situações de Parada Cardiorrespiratória os indivíduos devem ser socorridos o quanto antes e com eficácia por pessoas com treinamento e habilidades necessárias, em local adequado e com os equipamentos próprios, porém, nem sempre nos deparamos nestas situações. Sabemos que a cada minuto perdido sem circulação sanguínea, perdemos 7 – 10% da capacidade cerebral.

Tempo é vida! Santos et al (2003) comenta que a PCR (Parada Cardiorrespiratória) é uma situação dramática, o ápice da emergência, responsável pelo índice elevado de morbimortalidade, sendo o tempo uma variável importantíssima para vida do individuo. O atendimento rápido e eficaz com profissionais altamente capacitados é de grande valia para essa emergência. Estudos nos Estados Unidos apontados no trabalho de Boaventura e Miyadahira (2012) mostram que a sobre vida das vítimas de PCR fora do hospital é inferior a 6,4%, tendo como diversos fatores agravantes, falta de pessoas bem treinadas como o principal. Muitas vezes não nos deparamos com um ambiente perfeito para atendimento a uma PCR, diversos fatores são associados, como falta de equipamentos adequados, local adequado e pessoas capacitadas para o atendimento. Um estudo na década de 90 aponta que os profissionais Enfermeiros foram os que mais receberam treinamento em suporte básico e suporte avançado de vida para o atendimento a PCR. (BELLAN, ARAUJO e ARAUJO, 2010). Castro et al (2009) diz que um pouco mais de 60% dos Enfermeiros, antes do treinamento, atingiram o percentual considerado satisfatório, ou seja, por meio do teste teórico de seu estudo, foram abaixo da média. E para sua equipe (auxiliares e técnicos de enfermagem) os dados foram ainda pior. É de extrema importância o treinamento da Equipe de Enfermagem; na qual são os profissionais que mais se deparam com está emergência, para o atendimento a Parada Cardiorrespiratória, dando por consequência do treinamento uma melhor assistência ao paciente vítima da PCR.

Estudos apontam que 50% dos pacientes com infarto agudo do miocárdio não chegam vivos ao hospital, demonstrando a importância do bom preparo das equipes do APH (Atendimento Pré-Hospitalar) nesta emergência. (SANTOS et al, 2003). E não só implica no preparo apenas dos profissionais de atendimento APH ou móvel (ambulâncias e transportes diversos), mas também em leigos treinados para o reconhecimento e atendimento básico, tendo em vista que, são eles que chamam os profissionais para o atendimento extra-hospitalar. Guimarães (2008, p. 94) diz que “a necessidade de atitudes rápidas e precisas determina a contínua necessidade do domínio das técnicas e constante atualização nas diretrizes de ressuscitação cardiopulmonar”. Com isso temos que, tanto profissionais quanto leigos, anualmente se atualizar e treinar para o atendimento a está grande emergência, afinal um desconhecido ou até mesmo um parente pode precisar! Boaventura e Miyadahira (2012, p. 192) dizem que “as vítimas de uma PCR extra-hospitalar tem poucas possibilidades de serem reanimadas com sucesso se não forem feitas as manobras de RCP”.

DATASUS aponta que no Brasil, as doenças cardiovasculares matam 300 mil pessoas por ano e, dentro deste número, a estimativa é que ocorram 250 mil mortes súbitas por ano. Agora é lei no Brasil a instalação de desfibriladores automáticos externos (DAE) em lugares de grande circulação de pessoas, como aeroportos, estações de metrô e estádios de futebol. O aparelho é capaz de identificar o ritmo cardíaco e consegue reverter à parada cardíaca, que em 85% dos casos é causada por arritmia. Guimarães et al (2009) comenta sobre os termos REANIMAÇÃO e RESSUSCITAÇÃO. Sentido de ressuscitar é o de restabelecer o movimento, ou seja, a vida; depende basicamente da respiração e do movimento do sangue, noção que remonta às antigas civilizações, já a reanimação, compõese do prefixo re + anima + sufixo – ção. Anima, em latim, tanto significa sopro, respiração, como vida e alma. Novamente aqui se tem a identificação da vida com a entrada de ar nos pulmões. Se preparar para uma emergência é promover primeiros socorros, é respeitar a vida e ao ser humano, é acreditar que você pode ir além e salvar vidas, que podem ser de desconhecidos, até parentes e entes queridos.

Mérito: Enfermeiro Especialista Luis Felipe C. P. Alves, novembro de 2017. Bibliografia: Trabalho de conclusão de Especialização Enfermeiro Luis Felipe Cordeiro Perez Alves 2014.

 

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